Estudo da Sentinela, 9 a 15 de fevereiro de 2026, Como o Livro de Jó nos ajuda a dar bons conselhos, Respostas sublinhadas.

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“Agora, Jó, ouve as minhas palavras, por favor” (Jó 33:1).
1, 2. Em que situação difícil se encontram os três conhecidos de Eliú e Jó?
Em toda a região, a notícia se espalha como fogo: Jó, um homem muito rico e famoso, perdeu tudo. Quando três de seus conhecidos — Elifaz, Bildade e Zofar — ficam sabendo, decidem viajar para Uz para confortá-lo. Mas o que encontram ao chegar os deixa chocados.
2 Imagine a cena. Jó ficou praticamente sem nada. Todos os seus camelos, ovelhas, vacas e jumentos morreram ou foram roubados. Quase todos os seus servos também foram assassinados, e todos os filhos de Jó morreram quando a casa em que viviam desabou sobre eles. Como se não bastasse, Jó está muito doente e seu corpo está coberto de feridas dolorosas. Ao se aproximarem, os três homens o veem sentado em meio às cinzas, completamente desolado. Como reagem? Sentam-se ao lado daquele homem que tanto sofria e permanecem em completo silêncio por sete dias inteiros, sem lhe dirigir uma única palavra (Jó 2:12, 13). Em certo momento, um jovem chamado Eliú chega e se senta por perto. Finalmente, Jó quebra o silêncio para amaldiçoar o dia do seu nascimento e desejar a morte (Jó 3:1-3, 11). Claramente, ele precisa do apoio de seus amigos. O que esses homens farão nessa situação difícil? Suas palavras e ações mostrarão se eles são realmente seus amigos e se importam com ele. Vamos ver.
3. O que veremos neste artigo?
3 Jeová fez com que Moisés escrevesse o que os três conhecidos de Jó e Eliú fizeram e disseram. As palavras de Eliú foram inspiradas por Jeová, mas, curiosamente, algumas das palavras de Elifaz parecem ter sido inspiradas por um espírito maligno (Jó 4:12-16; 33:24, 25). Isso explica por que o livro de Jó contém alguns dos melhores conselhos da história, mas também alguns dos piores. Neste artigo, veremos como essa história pode nos ajudar quando precisamos aconselhar alguém. Primeiro, analisaremos o mau exemplo dos três conhecidos de Jó e, em seguida, o bom exemplo de Eliú. Em cada caso, veremos como os israelitas se beneficiaram e como nós podemos nos beneficiar hoje.
OS CONSELHOS DE ELIFAZ, BILDAD E ZOFAR
4. Por que os três conhecidos de Jó não conseguiram consolá-lo? (Veja também a imagem.)
4 A Bíblia diz que quando os três conhecidos de Jó souberam de todas as suas desgraças, “decidiram ir juntos para compartilhar a dor de Jó e confortá-lo” (Jó 2:11). Mas há pelo menos três razões pelas quais eles não o fizeram. Primeiro, eles tiraram conclusões precipitadas. Por exemplo, presumiram erroneamente que Deus estava punindo Jó por algum pecado. (Jó 4:7; 11:14). Em segundo lugar, muitos dos conselhos deles foram inúteis, insensíveis e até mesmo dolorosos. Por exemplo, todos os três, em algum momento, disseram coisas que soavam bem, mas eram vazias (Jó 13:12). Bildade foi muito desconsiderado e disse a ele que falava demais (Jó 8:2). E Zofar teve a audácia de chamá-lo de “cabeça-dura” de forma depreciativa. (Jó 11:12). Terceiro, embora talvez não tenham gritado com ele, muitas vezes falavam com ele com um ar de superioridade e num tom condescendente, sarcástico e condenatório (Jó 15:7-11). Em última análise, o que esses homens buscavam não era confortar Jó ou fortalecer sua fé, mas provar que ele estava errado.
ILUSTRAÇÃO
Um dos supostos amigos de Jó fala com ele asperamente enquanto os outros dois observam. Jó, cujo corpo está coberto de feridas dolorosas, senta-se no chão ouvindo os conselhos deles.
Ao dar conselhos a alguém, não devemos fazê-lo sentir-se superior; nosso objetivo deve ser ajudá-lo. (Ver parágrafo 4).
5. O que Elifaz, Bildade e Zofar conseguiram com seus conselhos?
5 Não é de admirar que o conselho que esses três homens deram a Jó não tenha surtido efeito. Na verdade, o deixou arrasado. (Jó 19:2). É compreensível que ele tenha sentido a necessidade de defender sua reputação, e que isso o tenha levado a perder o controle e dizer coisas inapropriadas. (Jó 6:3, 26). Elifaz, Bildade e Zofar expressaram ideias que não refletiam o ponto de vista de Deus e trataram Jó sem compaixão. Ao fazerem isso, tornaram-se, sem saber, instrumentos nas mãos de Satanás. (Jó 2:4, 6). Como os israelitas poderiam se beneficiar desse relato, e como nós podemos nos beneficiar?
6. O que os anciãos de Israel poderiam ter aprendido com o mau exemplo de Elifaz, Bildade e Zofar?
Possíveis benefícios para os israelitas. Quando a nação de Israel foi formada, Jeová escolheu certos homens experientes para julgar a nação de acordo com seus padrões justos (Deut. 1:15-18; 27:1). Esses juízes ou anciãos tinham que ouvir com muita atenção antes de dar conselhos ou emitir julgamentos (2 Crônicas 19:6). Eles também tinham que investigar minuciosamente os assuntos e fazer perguntas sem presumir que já conheciam todos os fatos. (Deuteronômio 19:18). Quando alguém lhes pedia ajuda, eles tinham que falar com gentileza, não com aspereza. Por quê? Porque se fizessem a pessoa se sentir um fardo, ela não ousaria abrir o coração. (Êxodo 22:22-24). Que boas lições a história de Jó poderia ensinar aos anciãos de Israel!
7. Além dos anciãos, quem em Israel poderia aconselhar outros, e o que eles poderiam aprender com o relato de Jó? (Provérbios 27:9).
7 É claro que esses anciãos não eram os únicos que podiam dar conselhos em Israel. Na verdade, qualquer pessoa — jovem ou idosa, homem ou mulher — podia aconselhar alguém que precisasse se aproximar de Jeová ou corrigir algum aspecto de sua conduta. (Salmo 141:5). Isso é o que se espera de um verdadeiro amigo (leia Provérbios 27:9). Ao refletirem sobre o mau exemplo dos três conhecidos de Jó, os israelitas poderiam aprender o que não dizer ou fazer ao aconselhar os outros.
8. Que erros devemos evitar ao dar conselhos? (Veja também as imagens).
Benefícios potenciais para nós. Naturalmente, quando nossos irmãos e irmãs passam por momentos difíceis, queremos ajudá-los. No entanto, não devemos cometer os mesmos erros dos três conhecidos de Jó. Primeiramente, antes de dizer qualquer coisa, precisamos nos certificar de que conhecemos todos os fatos e não tirar conclusões precipitadas. Em segundo lugar, devemos sempre basear nossas decisões na verdade da Palavra de Deus e não em nossa própria opinião ou experiência, como Elifaz frequentemente fazia. (Jó 4:8; 5:3, 27). E, em terceiro lugar, jamais devemos usar um tom áspero ou crítico. Lembremos que Elifaz e seus companheiros disseram algumas coisas verdadeiras; aliás, o apóstolo Paulo citou algumas de suas palavras sob inspiração. (Compare Jó 5:13 com 1 Coríntios 3:19). No entanto, a maior parte do que eles afirmavam sobre Deus era mentira e magoava Jó, então Jeová disse que eles não tinham dito a verdade (Jó 42:7, 8).Ao dar conselhos, nunca devemos insinuar à pessoa que Jeová é irracional ou que é impossível para ele amá-la.Vejamos agora o que podemos aprender com o exemplo de Eliú.
ILUSTRAÇÃO
Imagens de um irmão aconselhando amorosamente outro que está chateado. 1. Os dois estão sentados à mesa ao ar livre, tomando um lanche. O irmão chateado desabafa suas frustrações, e o outro ouve pacientemente. 2. O irmão que ouve abre sua Bíblia. 3. Ele compartilha amorosamente alguns conselhos da Bíblia com o outro irmão, que escuta com calma.
Quando conversamos com alguém, 1) devemos nos certificar de que conhecemos todos os fatos, 2) devemos usar a Palavra de Deus e 3) devemos nos expressar com gentileza. (Veja o parágrafo 8.)
OS CONSELHOS DE ELÍUO
9. Por que Jó continuou precisando de ajuda, e como Jeová a providenciou?
9 O debate entre Jó e seus três supostos amigos foi tão longo que suas palavras preenchem 28 capítulos da Bíblia. E os ânimos deviam estar exaltados, pois na maior parte do tempo eram movidos por raiva e frustração. Não admira que Jó continuasse se sentindo muito desanimado e precisando de consolo e correção. O que Jeová fez para ajudá-lo? Ele pediu conselhos a Eliú. Mas por que Eliú demorou tanto para intervir? Ele explicou: “Sou jovem e vocês são homens idosos. Por isso, mantive-me em silêncio por respeito.” (Jó 32:6, 7) Ele sabia que, geralmente, as pessoas mais velhas possuem a sabedoria que vem com a idade e a experiência. Mas, depois de ouvir pacientemente Jó e seus conhecidos, Eliú decidiu que não podia mais ficar em silêncio. Então, ele disse: “A idade em si não torna uma pessoa sábia, nem são apenas os idosos que entendem o que é certo.” (Jó 32:9) Vejamos o que ele disse em seguida e como o disse.
10. O que Eliú fez antes de aconselhar Jó? (Jó 33:6, 7).
10 Antes de aconselhar Jó, Eliú certificou-se de acalmar a situação e preparar o terreno. Como? Primeiro, controlando suas próprias emoções. Afinal, a Bíblia diz que a princípio ele estava muito zangado. (Jó 32:2-5). Mas em nenhum momento ele falou com ela em tom áspero ou cruel, mas, pelo contrário, com gentileza e carinho. Por exemplo, ele lhe disse: “Veja, para o verdadeiro Deus, eu sou igual a você” (leia Jó 33:6, 7). Em seguida, resumiu os pontos principais de seis discursos de Jó, deixando claro que havia lhe prestado muita atenção (Jó 32:11; 33:8-11). E fez o mesmo novamente quando, mais tarde, lhe deu outros conselhos (Jó 34:5, 6, 9; 35:1-4).
11. Que conselho Eliú deu a Jó? (Jó 33:1).
11 Quando Eliú começou a aconselhar Jó, fê-lo com grande respeito e sem o humilhar. Por exemplo, dirigiu-se a ele pelo nome, algo que os outros três aparentemente não fizeram. (É Jó 33:1). Além disso, ele gentilmente lhe ofereceu a oportunidade de responder, pois certamente se lembrava de que ele próprio desejara intervir em diversas ocasiões enquanto Jó e seus conhecidos conversavam. (Jó 32:4; 33:32). Ele também o advertiu para que tivesse cuidado com alguns de seus argumentos e o lembrou de que Jeová é muito sábio, poderoso, justo, leal e amoroso. (Jó 36:18, 21-26; 37:23, 24). Sem dúvida, as palavras bondosas de Eliú fizeram com que Jó se dispusesse a receber mais correções, agora diretamente de Jeová (Jó 38:1-3). Como os israelitas puderam se beneficiar do exemplo de Eliú, e como nós podemos nos beneficiar?
12. De que maneira Jeová usou os profetas para ajudar o seu povo, e o que os israelitas podiam aprender com o bom exemplo de Eliú?
12. Possíveis benefícios para os israelitas. Ao longo da história de Israel, Jeová frequentemente designou profetas para ensinar o seu propósito e corrigir os israelitas. Por exemplo, durante o período dos Juízes, ele usou a profetisa Débora e Samuel — mesmo em tenra idade — para dar orientação e instruções à nação. (Juízes 4:4-7; 5:7; 1 Samuel 3:19, 20). E, durante o período dos reis, ele enviou profeta após profeta para fortalecer espiritualmente o povo e corrigir aqueles que se desviavam da adoração pura. (2 Samuel 12:1-4; Atos 3:24). Ao refletir sobre o bom exemplo de Eliú, homens e mulheres fiéis poderiam aprender o que deveriam dizer e fazer ao corrigir e aconselhar os outros.
13. Como podemos imitar o exemplo de Eliú para encorajar nossos irmãos?
13 possíveis benefícios para nós. Assim como Eliú e os profetas de Israel, os cristãos proclamam a vontade de Deus e fundamentam seus ensinamentos na Bíblia. Além disso, ao aconselharmos nossos irmãos e irmãs, usamos palavras que os encorajam e edificam. (1 Coríntios 14:3). Os idosos, em particular, devem sempre lembrar-se da importância de falar de forma amorosa e reconfortante com todos os irmãos e irmãs, mesmo aqueles que estão chateados ou que tendem a dizer coisas sem pensar quando estão passando por momentos difíceis. (Jó 6:3; 1 Tessalonicenses 5:14).
14, 15. Como pode um velho imitar Eliú?
14 Vamos imaginar a seguinte situação. Em uma congregação, um presbítero fica sabendo que uma certa irmã está deprimida, então ele decide visitá-la junto com outro irmão para encorajá-la. Durante a visita, a irmã expressa algumas emoções negativas. Ela diz que, embora frequente as reuniões e participe do ministério, não se sente feliz. Como um presbítero deve reagir em uma situação como essa?
15 Primeiro, ela tentará compreender melhor a situação e os motivos de sua tristeza. Para isso, precisará fazer perguntas e ouvir com atenção. Será que a irmã pensa que não merece o amor de Deus? Será que ela se sente sobrecarregada pelas preocupações da vida?(Lucas 21:34). Em segundo lugar, o ancião procurará aspectos positivos para encorajá-la. Por exemplo, ele poderá elogiá-la por frequentar as reuniões e pregar apesar de estar deprimida. E, finalmente, depois de ter uma visão completa do que está acontecendo com sua irmã e por que ela se sente desanimada, você pode usar a Bíblia para ajudá-la a se convencer de que Jeová a ama. (Gálatas 2:20).
CONTINUEMOS APRENDENDO COM O LIVRO DE JÓ
16. O que devemos fazer para continuar aprendendo com o livro de Jó?
16 Quanto aprendemos analisando o livro de Jó! No artigo anterior, vimos que ele nos ensina não apenas por que Deus permite o sofrimento, mas também como podemos suportá-lo. E neste, vimos que podemos dar bons conselhos se evitarmos o mau exemplo dos três conhecidos de Jó e seguirmos o bom exemplo de Eliú. Da próxima vez que precisarmos dar um conselho a alguém, que tal relembrarmos as lições que esta história nos ensina? E se já faz um tempo desde que tivemos o prazer de lê-la, vamos nos comprometer a fazê-lo novamente. Com certeza descobriremos que o maravilhoso livro de Jó continua tão valioso hoje quanto na época em que foi escrito.
Qual seria a sua resposta?
Que ações de Elifaz, Bildade e Zofar devemos evitar ao dar conselhos?
Primeiramente, devemos evitar tirar conclusões precipitadas. Por exemplo, Elifaz, Bildade e Zofar presumiram erroneamente que Deus estava punindo Jó por algum pecado.
Em segundo lugar, devemos evitar dar conselhos que sejam inúteis, insensíveis ou até mesmo ofensivos. Por exemplo, em certo momento, os três disseram coisas que soavam bem, mas na verdade eram vazias.
Em terceiro lugar, devemos evitar levantar a voz ou falar com ar de superioridade e em tom condescendente, sarcástico ou condenatório. Em última análise, o que esses homens buscavam não era confortar Jó ou fortalecer sua fé, mas provar que ele estava errado.
Como podemos imitar Eliú ao dar conselhos?
Podemos seguir o exemplo de Eliú quando, antes de aconselhar alguém, nos certificamos de acalmar o ambiente e preparar o terreno, controlando nossas emoções. Nunca devemos falar em tom áspero ou cruel, mas sim com gentileza e afeto.
O que devemos fazer para continuar aprendendo com o livro de Jó?
Para dar bons conselhos, devemos evitar o mau exemplo dos três conhecidos de Jó e seguir o bom exemplo de Eliú. Se precisarmos aconselhar alguém, podemos relembrar as lições que esta história nos ensina. E se já faz muito tempo que não a lemos, vamos nos esforçar para relê-la. Dessa forma, veremos que o maravilhoso livro de Jó continua tão valioso hoje quanto na época em que foi escrito.
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